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Empreendedorismo para o desenvolvimento e inclusão

Não é segredo para ninguém que o desenvolvimento econômico de um país depende da criação de companhias que sejam capazes de gerar novidades, empregos e crescimento

Fersen Lambranho, para Headline Ideias
#NEGÓCIOS4 de nov. de 224 min de leitura
Empreendedores acompanham palestra no South Summit, feira de inovação realizada em Porto Alegre. Divulgação/ South Summit
Fersen Lambranho, para Headline Ideias4 de nov. de 224 min de leitura

O Brasil completa 522 anos e, nesse período, sua economia foi dominada pelos vastos recursos naturais. O modelo de escravidão foi a base da economia durante 75% deste tempo, e o analfabetismo oficial perdurou por 60% da nossa história.

Esses fatores foram determinantes para o desenvolvimento de uma cultura de busca de empregos, de preferência públicos. Quando olhamos para as grandes companhias brasileiras, observamos que, na sua esmagadora maioria, têm origem em famílias de imigrantes que chegaram ao Brasil a partir do final do século 19.

Não é segredo para ninguém que o desenvolvimento econômico de um país depende da criação de companhias que sejam capazes de gerar novidades, empregos e crescimento. No caso do Brasil, chegamos no século 21 sem que, no dicionário do Aurélio, encontrássemos a palavra empreendedorismo.

A tecnologia digital favorece a rapidez de desenvolvimento de empresas – basta ver que, dentre as 10 maiores companhias no mundo, em valor de mercado, metade delas não existia há 30 anos.

Não podemos nos enganar, achando que os “unicórnios”, que surgiram no Brasil nos últimos anos, foram capazes de nos inserir no mundo atual. Embora nos orgulhemos deles, são muito poucos para um país com as dimensões do Brasil.

O incentivo ao empreendedorismo constitui uma das grandes alavancas para resolver as questões sociais. Além de gerar empregos, a enorme importância do empreendedorismo se encontra em permitir que pessoas, de todos os extratos sociais, possam desenvolver suas habilidades e capacidade intelectual.

O maior ativo do Brasil são seus 230 milhões de cérebros. Portanto, há uma imensa probabilidade de que os futuros empresários disruptivos saiam das classes menos favorecidas, desde que devidamente educadas e incentivadas.

Diversos países, tais como o Reino Unido e Israel, dentre outros, entenderam que o apoio ao empreendedorismo é a chave para o futuro. No Brasil, precisamos de uma mudança cultural abrangente, que nos leve nessa direção. Vai levar tempo, mas o processo precisa começar com urgência, com o poder público e o ecossistema de empreendedorismo unidos em iniciativas que promovam a diversidade e a inclusão, e o incentivo a negócios liderados por pessoas de todos o espectros sociedade.

Célula-mater

Acreditamos que a pequena empresa é a célula-mater do desenvolvimento do país, e que cabe ao Estado incentivá-las. Listamos, a seguir, 6 ações que podem ser um ponto de partida:

1- Uso da tecnologia para facilitar, simplificar, baratear e tornar transparente a relação do Estado com as empresas;

2- Suavizar a transição de faixas tributárias, de forma a incentivar o crescimento de empresas a partir do momento da sua criação;

3- Educar as pessoas desde o ensino primário, porque empreender tem método, e não é apenas um dom. Além disso, promover o treinamento das pessoas para a área de tecnologia digital, uma vez que sabemos que esse é um dos maiores gargalos para o crescimento e inovação dos novos negócios;

4- Combate sistêmico à assimetria de informação, que hoje faz com que apenas empreendedores, com algum “capital social”, redes de contatos, ou acesso privilegiado, saibam como captar recursos, ou se beneficiar de programas públicos e público-privados de acesso a capital, inovação, importação e exportação, dentre outros;

5- Incentivo ao capital privado de risco, e a criação e fomento de programas, com critérios objetivos, que alavanquem recursos de BNDES e demais bancos públicos, para empresas de alta performance – as que normalmente escapam dos programas para micro e pequenas empresas, e cadeias de indústria;

6- Transferência de tecnologia facilitada entre universidades e empresas, permitindo que as companhias possam contratar ou participar de iniciativas de desenvolvimento de produtos com pesquisadores – escalar o PIPE Empreendedor da FAPESP para todo o Brasil.

O momento é único nas nossas vidas. Afinal, o mundo digital nos permite construir, com ideias mais do que com recursos, o que favorece as populações mais pobres.

Acreditamos que empreendedorismo não é apenas um capítulo da economia. Empreendedorismo constitui um dos importantes pilares da busca de dar oportunidades iguais a todos os cidadãos.

Co-assinado com:
Marilia Rocca – Diretor-geral Endeavor Brasil 2000/05
Paulo Veras – Diretor-geral Endeavor Brasil 2005/08
Rodrigo Teles – Diretor-geral Endeavor Brasil 2009/12
Juliano Seabra – Diretor-geral Endeavor Brasil 2013/18
Camilla Junqueira – Diretor-geral Endeavor Brasil 2019/atual

* Fersen Lambranho é presidente do conselho da GP Investments e G2D Investments. Texto publicado originalmente na Folha de São Paulo em 4 de novembro 11 de 2020.

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